Eu não gosto de poemas,
essa coisa resumida,
descabimento do que precisa ser dito.
Têm umas entrelinhas instáveis,
e um ar intelectualóide fingindo ser compreensível.
Sem falar nas rimas e na métrica,
à serviço do mais completo tédio.
Se o poema fosse uma coisa,
uma caixa, por exemplo,
em análise concreta, nenhum poeta ali caberia,
mas esses chatos insistem em tentar.
Imbecis.
A pedra no meio do caminho é uma farsa.
Um termo banal que nunca caberá
a minha solidão, os meus problemas, as minhas angústias,
mas todo mundo acha bonito.
Se eu fosse poeta,
negaria o cabimento do mundo em meus poemas.
Me comove o que não pode ser dito,
faria um poema só de entrelinhas.
Estou farta do jogo das palavras.
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