segunda-feira, 1 de junho de 2009

Passados

Volto a falar besteiras
Empunhar cigarros
Beber sem copo
Me desperdiçar.
A fantasia adorna a tristeza fria
De uma pele quase morta,
Ou quase viva.
Flerto contigo.
Oscilo.
Não vejo a linha tênue
Aquilo que separa a verdade do ridículo,
O ósculo e o escarro.
A cegueira, a embriagues, o sepulcro das palavras
Minhas mentiras são aparatos para algo viver
Vive, dança, canta, respira lembranças.

As pálpebras me levam ao claro
Aromas invadem
Adentro teus aposentos
Nervos, desejos, afagos.
Rimas labiais sedutoras,
Meu corpo e sua razão
O toque.
Edredom rubro sobre tua pele alva.
Contrastes.
A posse de um único instante,
Em mim o poço, em ti um copo d’água.
O encaixe.
Um tom de loucura na paisagem,
Minha nudez, teus olhos, nosso céu.
A dança.
O gosto aguçado que o paladar não descreve.
E tudo se finda.

Erguem-se as pálpebras
A escuridão retorna sem dó.
Um mundo inodor, insípido, incolor.
Não há sua estupidez.
Acesso tua cordialidade inexistente.
És visceral, mas restaram-me as convenções.
Amanheço degustando a paciência,
Viro à esquina , à esquerda,
Misturo pavor e vontade,
Quero ser minha própria fantasia,
Acabo por virar realidade.

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