Ela: (Num vácuo de sensações exclama) Monocromática vida minha!
Ele replica:
Nada é monocromático. Nada!
Se de tuas paixões há escassez de cor
Entre teus dedos estão os tons.
Não podes negar tuas nuances,
Tuas curvas sem arestas...
Nem eu o teu passado.
Teu ímpar degradê castanho,
Que faz a visão deslizar
Estancando ao raiar do teu riso.
O súbito desejo da alva pele,
Da face arredondada e terna,
Da tatuagem liberta e do sinal que aprisiona.
Reflito (me) dentro do teu olhar
Sempre escondido e escancarado.
Como se não bastassem
Como se fossem poucas as combinações,
Tuas cores ousam dançar.
Entontece o sacolejo de tuas ancas,
Negra saia cobre pernas coloridas do teu bailado.
Procurei cores pra trazer-te,
Agora que achei, seguem-se as pinturas...
Mortas!
Apenas tu és misto de cores vivas.
Eu, apenas o contemplador de tua ternura.
Ela: (entra num luxo radioso de sensações)
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