Mandarina oscilava entre pensar no seu novo lar e na política a ser tirada para tal estratégia. De fato não fez corretamente nenhuma das duas coisas. Cansada, só queria sair do meio dos seus afazeres. Chega alguém para lhe tirar deles. O flerte não dura muito tempo, só o suficiente para saber que ainda tinha hormônios e escrever entre quatro paredes:
A fumaça de meu cigarro dura mais tempo que tua presença. E assim se segue em passos. Primeiro a vontade, depois o ascender o cigarro, o primeiro trago, o gozo, a calma, a fumaça, o fim. Deveras és mais ágil, do gozo fostes direto ao final, sem que eu percebe-se que em mim morre tua imagem.
De fato não havia nada a lhe oferecer, meu mal humor diário, meus poemas empoeirados de rancor, minha alma senil e a distância. Não sou um brinquedo tão interativo, na verdade nunca me dei bem assumindo o papel de brinquedo.
...Tenho ciúme das pessoas que te conhecem, por que eu não pude te conhecer.
O Ciúme
Geraldo Azevedo
Composição: Caetano Veloso
Dorme o sol à flor do chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, pernambuco, rio, bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre petrolina e juazeiro canta
Velho chico vens de minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu
Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê
Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme.
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